terça-feira, 31 de janeiro de 2012

COLECIONE PONTOS E SEJA UM DE NÓS!!!!


Agora temos de ter cuidado com o que colocamos na internet. Se não é bem capaz de que nossos empregadores achem que não somos adequados ao cargo que pretendemos. Não importa o quanto tenhamos estudado durante nossa vida, que tenhamos suportado todos aqueles anos chatos de escola, tirando notas boas a muito custo, deixando de lado uma vida plena para adequar-se às demandas do mercado. Se você diz palavrões ou coisa do tipo em suas redes sociais, está em completa desvantagem, amigo.

Não, não. Isso não é por um apelo desesperado da sociedade pelo bom senso, coisa difícil nestes tempos em que ele é confundido com o tão falado “politicamente correto”. Aliás, “politicamente correto” é um termo cuja definição nunca consegui entender direito. Por um lado entendo que muita gente, as mais questionadoras pelo menos, ataquem esse tipo de postura por encontrar nela muito do verniz hipócrita e arcaico que regeu nossa sociedade até bem pouco tempo atrás, quando trocamos inimigos declarados e facilmente reconhecíveis por outros muito mais sutis e perigosos. Por outro, fico pensando: “Poxa, mas o correto não é uma coisa boa? O problema deve estar no ‘politicamente’ então...”. Deixa pra lá.rsrsrsrs.

Apenas tome cuidado. Se você quer realmente ter um emprego e não tem peixada que facilite as coisas pra você, pare de postar em seu tumblr essas fotinhos sacanas, pare de ser tão polêmico no facebook e, bem, se você é um nerd que gosta de filmes de terror e rock, principalmente os seguimentos mais obscuros desse estilo, pode esquecer. Apague seus perfis e crie novos postando fotos de crianças morrendo na África com aqueles apelos emocionados à consciência, quem sabe animais escaldados pelos donos num protesto muito bem intencionado contra a violência para com os animais. Ah, mensagens religiosas podem ajudar, mas tente ser o mais neutro possível, pois se seu futuro empregador tiver uma religião diferente da sua, pode ser um ponto negativo.

Faça isso e você poderá então fazer parte do seleto grupo de pessoas bem sucedidas, com considerável poder de compra, que um dia poderão figurar em alguma matéria de telejornal sobre decoração da casa, ou sobre o que colocar na mala em sua viagem de carnaval ou, quem sabe, sobre como ensinar seu filho a gastar o dinheiro da mesada semanal. Caso contrário, em alguns anos, pode acabar figurando mesmo em alguma reportagem daqueles noticiários policiais, inteligentemente ignorados pelo pessoal que decora bem sua sala de estar, escolhe bem o que leva pra viagem e administra bem a mesada dos filhos.



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

AS AVENTURAS DO CAPITÃO SUPERIOR ou Como Notei que Sou o Fodão...


Acho que não preciso, por motivos óbvios, preocupar-me em assumir a responsabilidade pelo que este blog há de se transformar a partir de hoje. Não tive nenhuma epifania, aliás. Pelo menos não é assim que quero chamar a sensação que conheci hoje. Nada de muito extraordinário aconteceu. Eu acordei cedo (para os padrões de férias), tomei café com minha esposa e minha filha que ainda cresce obstinadamente (graças a Deus!) dentro de sua barrigona. Fomos à loja de informática trocar os fones defeituosos, passamos no Centro, compramos um monte de roupinhas, consegui achar um exemplar do livro Crash! Do J. G. Ballard por apenas um real (feito que eu adoraria repetir mais vezes, embora dependa muito da sorte), almoçamos no SESC, voltamos pra casa a pé, cansados e satisfeitos.

Em casa, assisti a um filme baseado num dos primeiros contos do Stephen King, o qual li há muito tempo e é um dos meus favoritos. O filme é legal, mas peca por adicionar muita coisa a uma história que era boa justamente por ser simples. Depois peguei meu volume de contos reunidos do Rubem Fonseca e fui ao alergologista. Na volta, a parada de ônibus estava lotada e resolvi esperar ali em pé, lendo o livro, até que o número de pessoas diminuísse. Isso durou mais ou menos meia hora.

Novamente em casa, pus o filme que baixei à tarde, antes de sair para o médico. O documentário de 1994 do Terry Zwigoff sobre o quadrinista Robert Crumb. O filme realmente foi um soco no peito. Conheço um bocado de quadrinhos, mas me senti um micróbio por conhecer tão pouco de Crumb. Mas foi incrível perceber a curiosa e inequívoca influência do sofrimento sobre a obra de um gênio. Mesmo que, como Crumb, esse sofrimento seja sublimado a ponto de tornar-se quase um divertimento. Fiquei ali, mergulhado naquele universo distorcido e ao mesmo tempo tão reconhecível dos sonhos esmagados e do nadar contra a maré. Na verdade, isso aconteceu agora há pouco. Acabei de desligar o DVD.

Mas isso ainda não foi o que me fez vir aqui.

E o que foi? A resposta é nebulosa. É algo muito pesado, difícil de descrever, mas que, de qualquer forma, já está mais do que descrito em cada linha de tudo o que já escrevi em toda a minha vida (o que foi infinitamente menos do que eu gostaria, e duas vezes infinitamente menos do que seria necessário para me tornar um escritor ou pelo menos o escritor que eu gostaria de ser...).

Enquanto assistia Crumb ouvia a TV da minha mãe na cozinha passando a droga do Big Brother. Isso não me fez ter mais raiva do que eu sempre tive de coisas como o Big Brother ou qualquer outro lixo desses que nos fazem engolir. Na verdade, não senti nem a raiva que sinto habitualmente. Apenas ignorei. Apenas me senti superior por não estar assistindo Big brother e sim outra coisa. E aí, só aí me toquei que eu sempre me senti assim. Bem, na verdade, eu já havia me tocado, mas quando você cai na real quanto a coisas do tipo, entre percebê-la e admiti-la existe um enorme hiato.

Não sei por que motivo eu me sinto tão superior por gostar das coisas que eu gosto em vez de engolir com todo mundo as porcarias que servem. Só nesse texto eu citei um monte delas. E realmente acho que, em certo nível, elas me preenchem, ensinam, dão bagagem para pensar e questionar a realidade ao meu redor com maior clareza, apesar de não me revelarem paisagens mais confortáveis. È algo que não deixa de ser resultado de escolhas conscientes, do tipo: “Ler isto é bom para mim por causa disso... assistir isso é bom pra mim por causa disso... ouvir isso é bom pra mim por causa disso...” E pó aí vai.

Se fosse só assim, acho que ser quem sou e gostar do que gosto, consumir o tipo de Cultura ou “cultura” (porque existe um enorme abismo entre as duas expressões e eu gosto muito de coisas dentro de cada uma) que eu consumo de fato me faria melhor do que quem gosta de Big Brother, Michel Teló, ou esses execráveis funks dos quais falei meses atrás no último post.

Mas quer saber? Boa parte do que me faz gostar do que gosto não é nem um pouco consciente. E é isso o que me derruba. Eu amo ler mais do que qualquer coisa. Eu amo quadrinhos, rock´n´roll, filmes de terror e cinema em geral e amo escrever, não importa o quê. E eu não escolhi isso. A parte consciente de tudo é decorrente das justificativas que encontrei ou que inventei para gostar dessas coisas e não de outras. E é por causa disso que não sou em nada melhor do que idiotas que se empanturram de novelas, música ruim, comerciais de TV,filmes vazios e que não abrem uma porra dum livro pra ler algo que preste e ainda enchem a boca pra dizer que isso é besteira ou que não precisam fazê-lo.

E o lance todo é que, mesmo sabendo que sou tão idiota quanto qualquer um desses, eu sei que cheguei a tal conclusão através de um sofisma para atenuar minha enorme, gigantesca, titânica incapacidade de acreditar nessa porra toda...

sábado, 22 de outubro de 2011

QUEM TEM MEDO DO PROIBIDÃO?



Sexta-feira, 14 de outubro de 2011.

Estou voltando da faculdade. Passa das três da tarde. Estou nas proximidades do Colégio Liceu do Ceará. Ouço o som alto de um carro. É um daqueles completos imbecis sem nenhuma educação que querem compensar sua limitação mental e sua frustração por não aceitar a si mesmo e suas fantasias homoeróticas e precisam chamar atenção de qualquer jeito para sublimar o conflito interno. Um homem adulto. O som vai se tornando ensurdecedor à medida que se aproxima. Quando finalmente consigo entender o que a silvícola está dizendo na letra, é com isto que me deparo:

“Comece a me chupar/Metendo pra lá e pra cá, cá, cá, cá, cá...”

Ou algo assim.

Quarta-feira, 19 de outubro de 2011.

Estou em uma dessas topics metropolitanas indo para o meu campo de estágio em Caucaia. Sete da manhã. A topic não está lotada, mas há muita gente indo para o trabalho. Um idoso de cabelo lambido e rosto sereno na poltrona próxima à porta, uma mulher grávida, uma senhora de meia idade com a maior cara de professora...E um rapaz de mais ou menos dezesseis anos acompanhado de um colega um pouco mais velho, ambos com farda de um colégio que não pude identificar. Um dos rapazes estava com um celular pendurado no pescoço ouvindo uma música em volume além do bom senso. Muita batida, cornetinhas repetitivas e uma voz feminina começa um verso fragmentado:

“Hoje eu to cheia de tesão/Eu quero te excitar/Minha calcinha tá no cu/Raspei a xereca pra você chupar/ chupar, chupar, vem aqui me chupar”

Ou algo assim

Sábado, 21 de outubro de 2011.

Oito vinte da noite. Caminho com minha esposa pela rua onde moro. Estamos saindo à procura de uma casa a fim de nos mudarmos, pois não temos um raio edestuidor e nossos vizinhos não são do tipo: “Podemos nos divertir, mas vamos tentar não incomodar as pessoas que gostariam de descansar de uma semana árdua acordando cedo e dormindo tarde”.

Em nossa direção vemos um grupo de garotas. A mais velha deve ter no máximo catorze anos. Percebemos logo que uma ou mais delas estavam compartilhando do mesmo hábito do rapaz citado acima, carregando um celular. Já imagino o que vou ouvir em instantes e o que ouço é isso:

“Que piroca boa/Bota até o ovo-ovo/Bota até o ovo”

Ou algo assim.

Sou completamente contra a censura, de qualquer tipo. Apesar do meu tremendo mal estar com o que tenho testemunhado em situações como essas que eu narrei, pois são somente episódios mais recentes de um fenômeno que vem acontecendo há MUITO tempo (e só falei daqueles ligados ao gosto musical, a coisa não se restringe apenas a esse aspecto...), não condeno essas pessoas por seus gostos e atitudes.

Afinal, quem sou eu? Eu sou um professor, estudante universitário, homem casado que trabalha e sofre como todo mundo, mas que tem seus momentos de olhar revista de mulher pelada, ver uns filmes muito escrotos, com sexo, violência e terror e coisas do tipo. O que me coloca exatamente e meu lugar, aquele em que não tenho o direito de dizer pra ninguém o que é certo ou errado.

No entanto, ficaria muito, mas muito, mas muito, mas muito feliz mesmo se alguém, além da minha esposa, me dissesse que não gosta nada disso que está acontecendo com as pessoas hoje em dia, isso que as motiva a desprezar a ideia de bom senso (pelo menos a ideia que eu tinha de bom senso, que pode não ser a verdadeira, mas que existia antes e está se desintegrando rapidamente). Porque estou vendo tudo como um daqueles filmes de terror antigos como “Vampiros de Almas”, em que um mal escandaloso vai tomando conta das pessoas e fingimos que tudo é normal até o momento em que não podemos controlar toda o tsunami de merda que está em vias de nos afogar.

E sabe o que mais? Apesar de tudo, o funk não tem nada a ver com isso.


P.S.: Acabei de achar o artigo de uma pessoa muito mais esclarecida que eu escreveu a revista AFRICAS tratando o assunto de uma maneira menos aterrorizada. Acho que vale a pena ler. Clique aqui.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

DIÁRIO DE FÉRIAS(DIA 08)- OS LIVROS QUE NOS MORDEM, QUE NOS ACORDAM

Finalmente derrotei o último chefão. O monstro maior. Passei na final de Idoso e garanti minhas disciplinas do sétimo semestre. Missão cumprida, mas essa foi por pouco e também uma grande lição.

No mesmo dia da prova, terça-feira, pra comemorar, fui assistir à exibição de “Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver”, clássico do Zé do Caixão, que aconteceu no Sesc. Assistir mais de dois terços do filme sozinho na sala de vídeo escuríssima. Lembrei de quando fui assistir “Madrugada dos Mortos”. Na quarta aluguei uns dvd´s e ontem fui à terceira sessão da mostra do Romero no Vila das Artes. “Despertar dos Mortos”, que gostei mais de ver desta vez do que na primeira. Talvez por ter percebido a grande evolução técnica do Romero desde “Exército do Extermínio”.

Escolhi como meu primeiro livro de férias “O Fio da Navalha” de Somerset Maughan. A Sue já havia me emprestado, mas na época, apesar de ter lido uma parte, não estava com espírito pra pensar nas muitas questões que o livro propõe, como os valores da sociedade, o que é mais importante se dinheiro e relações sociais ou o crescimento espiritual, a busca pelo conhecimento, por relações verdadeiras com pessoas de verdade.. Hoje estou.

Edição que eu achei no sebo...

O livro praticamente caiu do céu em minhas mãos. Há algumas semanas essas questões estavam muito vivas em minha mente, e isto estava me enfraquecendo, pois além da Dra Kenobi não havia mais ninguém com quem eu pudesse conversar a respeito. E eu havia determinado que não compraria mais livro algum antes deter lido os que estão na minha estante há meses sem que eu tivesse tempo para eles. Mas um dia eu caminhava pelo Centro e deu a maior vontade de visitar os sebos que eu mais gosto. No que fica na Rua Pedro I, logo na entrada, vi “O Fio da Navalha” e me lembrei de que havia gostado do pouco que lera. Quando abri o livro, vi a frase: “Difícil como caminhar sobre o fio de uma afiada navalha, diz o sábio, este é o caminho da salvação”. E estava creditada a um indiano cujo nome infelizmente não me recordo e ainda não pude lembrar-me de pesquisar a respeito. Rendi-me imediatamente e senti que precisava finalmente lê-lo. Como não agüento pegar um livro só quando vou a sebos, comprei também um exemplar de “As Meninas” da Lígia Fagundes Telles e um de “Clarissa”, de Erico Veríssimo, que há tempos não leio. Mas isso foi antes das férias. Esta semana, com um pouco mais de tempo livre pude começar o Maughan e estou gostando muito. Levo=o para todo lugar que vou e leio em todas as ocasiões, pois cada palavra daquele livro fala direto ao meu coração.

Quando encontro um livro ou um autor que me conquistam dessa forma, lembro sempre de Kafka, ao afirmar que só devemos ler livros que nos piquem e mordam, que pulem da estante direto para nossas mãos e que nos acordem como um forte tapa no rosto.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

DIÁRIO DE FÉRIAS (DIA 04)- TÉDIO, QUADRINHOS E MUITO ESTUDO...

Domingo. Nany passou o dia no curso e eu sem a mínima vontade de arrumar a casa. Vim aqui na casa da mãe depois da Missa que toquei com a Renata, o Daniel e o Nicks. Olhei uma porção de bobagens na net e trabalhei um pouco na IDEIA. Depois do almoço voltei pra casa e li a revista VERTIGO que comprei na quinta. Gostei muito da série Vampiro Americano desenvolvida pelo Scott Snyder (por que todo Snyder se garante, hein?) e pelo desenhista brasileiro Rafael Albuquerque. Mas a vedete da revista, na minha opinião, é Hellblazer, não tem pra onde correr. O Constantine é o cara. Nessa história que eu li até o Monstro do Pântano dá as caras. Há quanto tempo que não leio na dele.

Constantine: pense num cabra safado


Depois de ir buscar a Nany no curso fui estudar um pouco pra Final de Idoso, que vai ser amanhã (é o tudo ou nada). Ela começou a assistir os dvd´s da Hilda Furacão que eu lhe dei de presente e fui no embalo. Emendamos tarde e noite assistindo. Depois da janta fui preparar as coisas pras aulas de hoje de manhã e findei a noite estudando mais um pouco.

Hoje fui dar as minhas aulas no colégio, paguei umas contas, estudei pra cacete, fiquei cansado de estudar, toquei violão (gravei duas musiquinhas bem bunitinhas que compus) e fui pra biblioteca estudar mais, pensar em como fui um imenso inútil em passar nas matérias mais difíceis e ficar naquela que eu acho a mais chata.

Tudo muito tedioso. E minha cabeça não tá funcionando bem por causa dessa prova. Tomara que passe logo esse pesadelo....

domingo, 12 de junho de 2011

DIÁRIO DE FÉRIAS (DIA 03)- X-MEN E MEUS VIZINHOS CHATOS OU Como eu queria ter o poder do Destrutor...

Terceiro dia de férias da facul. Mais más notícias. Na segunda não poderei trabalhar, pois preciso entregar as notas do pessoal da monitoria. Isso só reforça a decisão que eu já havia tomado.

Tive um outro rompante de raiva por causa dos meus vizinhos imbecis. Como imagino que minhas chamadas pelo facebook, Orkut e MSN não funcionam mesmo e poucos olhos lêem meus textos, me sinto na confortável liberdade de dizer que meus vizinhos são sim uma cambada de idiotas que não tem um pingo de empatia( vou logo me desculpando com todos os vizinhos chatos que não são idiotas para ninguém ficar com raiva achando que generalizei a coisa. É....hein?Deixa pra lá). Não vou falar sobre educação, pois quem chama os outros de idiota não pode cobrar educação de ninguém, mas é que é uma merda você trabalhar e estudar todos os dias, saindo de casa às vezes às cinco e meia da manhã pra chegar às nove e meia, dez da noite, cansado física, mental, espiritual, emocionalmente, tendo de elaborar e corrigir provas, fazer plano de aula e ainda ajudar minha esposa a cuidar da casa. Não estou reclamando, parece que estou, mas não estou, pois sei que de certa forma tudo isso tem um sentido, todo esse cansaço, pois faço a faculdade que eu gosto e gosto também do emprego que tenho (apesar de sempre reclamar dele) e sei que tenho frutos pra colher depois de todo esse trabalho.

Mas me sinto no direito de reclamar desses malditos retardados que só falam em futebol e que enchem a cara a semana toda, passam os dias nas calçadas monitorando a vida alheia e no final de semana que a gente tem pra acordar tarde, assistir os dvd´s guardados há tempos esperando serem vistos, ler os quadrinhos ainda no plástico por falta de tempo pra ler, assim como os livros também comprados há tempos. E você não tem silêncio mínimo pra se concentrar. Não dá nem pra ouvir seu próprio pensamento, quanto menos refletir sobre o pensamento que alguém escreveu. Meu descanso é completamente ligado à leitura. É assim que relaxo, que reflito sobre as coisas. Mas esse pessoal me tira do sério. Acho que nunca estive tão perto de cometer um assassinato quanto ontem. E eu falo muuuuito sério (droga, se alguém realmente ler isso, vai ter repercussão...). Cada um deles gosta de um ritmo diferente, e só aqueles que eu mais odeio. A vizinha do direita ouve axé nas alturas e ainda quer cantar com aquela voz incrível dela. Ela realmente tenta vencer a potência do som dela. Os da esquerda, autores da proeza que narrarei a seguir ouvem incessantemente o mesmo cd de brega do tipo cabaré por várias horas. Inclusive eles o estão ouvindo agora. Detalhe: eu não tenho computador e acesso a internet aqui da casa da minha mãe que fica na outra rua. Posso ouvi-los agorinha mesmo de onde estou, claramente. Quando não, meu vizinho, que sem dúvidas deve sofrer de algum distúrbio mental seríssimo que o faz ter vontade de gritar pelo time dele pelo meio da rua feito um esquizofrênico, ouve aqueles raps horríveis desse time, com direito a palavrão na letra, provocações à torcida adversária e o escambau a quatro. Foi aí que eu comecei a entender um pouco por que raio é que esss idiotas de torcida não podem se encontrar que rola fight. Paz nas arquibancadas, é? Vai sonhando...

E imagina só a situação: você precisa lavar a roupa branca da sua esposa que irá para o estágio no dia seguinte. Você não sabe lavar roupa direito e precisa de algumas horas para desenvolver esta atividade, digamos, bem inglória para leigos. Você sabe que tem um monte de coisas pra fazer naquele dia, um sábado ensolarado e promissor. Você acorda cedo e começa seu trabalho de lavadeira honorária e isso lhe custa muita dor nas costas, mas tudo bem, depois de quase três horas você conseguiu. Agora pode ir varrer a casa, passar o pano, estudar para a prova final e continuar a sua idéia de escrever seu nome na história da cultura pop no novo século.

De repente, não mais que de repente, após você ter lavado toda a bendita roupa branca, percebe um monte de fumaça vindo de dentro do seu quintal. Você acha que é um incêndio, mas sua fiação é boa, você não ligou o forno nem nada. Corre ao quintal com o coração já a sair pela boca e percebe que seus vizinhos estão dando um maravilhoso churrasco no quintal e a fumaça está vindo todinha para o seu, enfumaçando tudo, inclusive as roupinhas que você acabou de lavar.

Como não posso reclamar, pois sei que não há argumentos com gente barraqueira, daquelas que sai gritando nome feio no meio da rua e joga merda em sacos na sua porta, exerci o máximo do meu limitadíssimo autocontrole, tentando apenas me concentrar no fato de que, se eu cometesse uma enorme violência contra meus amados vizinhos minha esposa iria sofrer muito ao perceber que faltei ao nosso encontro de dia dos namorados no Benfica (X-men-First Class!) porque fora preso em flagrante.

Tentei respirar fundo, mas eu realmente tenho um problema de autocontrole, não estou brincando. Contra os vizinhos consegui não fazer nada, mas meu mecanismo de resposta emocional a situações como essas (que ultimamente têm apenas meus vizinhos como desencadeadores, graças a Dra Kenobi e muuuita meditação). Mas é muito difícil manter a calma. Não há inimigo pior do que a fúria. O Hulk que o diga...

Quando minha esposa Nany me ligou para nos encontrarmos no cinema do Benfica eu ainda estava na pilha. Fiquei bravo com ela, nem sei porque, mas fui sabendo que era o único jeito de evitar o pior. Ultimamente, mais do que em qualquer outra época de nosso relacionamento, tenho aprendido em buscar nela a fonte da minha calma e, graças a Deus, ela colabora e muito.


Destrutor: taí um poderzinho que ia ser massa...

Fomos ver o X-men- Primeira Classe que é extremamente fodástico. Não é a melhor adaptação de quadrinhos que eu vi, mas é uma dos melhores filmes de ação que eu vi. E o Magneto do Fessbender rouba a cena legal. Encontramos a Débora, que é não víamos a muito tempo mesmo e isso foi massa.

Quando chegamos em casa, ainda pude sentar e trabalhar um pouco mais na IDEIA.

E assim foi meu terceiro dia de férias. Prometo que não vou matar ninguém, é sério. Pelo menos não nas férias, porque senão vou perder a única época do ano em dá pra descansar. Agora eu brinquei.



sábado, 11 de junho de 2011

DIÁRIO DE FÉRIAS (DIAS 01 E 02)-MAIS ROMERO E OS CORLEONES

A coisa tá ficando preta. Tá chegando o dia da final de Saúde do Idoso. Estudo todo dia um pouquinho por dia, mas parece que longe da minha equipe não consigo fazer muita coisa.

Na quinta, dia 09 teve o segundo dia da Mostra do George Romero. O filme foi Exército do Extermínio, de 1973. O filme conta a história de habitantes de uma pequena cidade que tenta sobreviver ao plano de contenção do exército americano a uma epidemia de loucura causada por um vírus que se espalha pela região após a queda de um avião.

Esperava encontrar o Fábio Cabelo lá, mas nem ele nem D. Carlos foi. Na verdade, além do meu irmão, vieram praticamente todas as pessoas que compareceram na semana passada.

Ontem foi um dia muito corrido. Fui à Doutora Kenobi (como chamo minha psicóloga) e no caminho mesmo o povo começou a me torrar o saco com os lances da monitoria. Sem comentários sobre minha monitoria. Sei que ninguém lê mesmo isso aqui, mas quando é pra coisa dar merda, dá mesmo.

Fui comprar o presente do Dia dos Namoridos pra minha esposa. Um Box da série Hilda Furacão. Foi osso, pois tinha muita coisa pra fazer, mas valeu a pena, porque ela , que já tinha me dado o livro 1984, do George Orwell, de presente, me fez a incrível surpresa de comprar pra mim o Box do Poderoso Chefão. Bota incrível nisso.

Daniel, Renata e eu estamos trabalhando em algo importantíssimo para o destino da humanidade e a manutenção da vida na Terra. Claro que não posso falar nada ainda sobre isso, pois não sabemos se vai dar certo. Se o mundo não se acabar em breve é porque deu.