sexta-feira, 2 de abril de 2010

DESINTEGRANDO VIZINHOS CHATOS

EXTRAÍDO DO MEU DIÁRIO ESCRITO NO DIA 21/03

Hoje resolvi dar um jeito na coisa. Como acontece todo final de semana, meus vizinhos imbecis acordam cedo. Muito cedo. Ligam o som no último volume e assim vai embora um dia inteiro de descanso.
É incrível como eles conseguem ser primitivos o bastante para não entenderem princípios tão elementares da vida em sociedade. Como por exemplo, aquele que diz que finais de semana (e especialmente domingos) são dias feitos para que pessoas que acordam cedo todos os outros dias possam dormir tranqüilos, sem ter de se preocupar com despertadores e outras coisas barulhentas e irritantes. Que é sinal de muita sensatez e decoro manter certo nível de silêncio para que essas pessoas que trabalham duro e ganham pouco, pelo menos até as dez da manhã, possam compensar o sono acumulado da semana atribulada na qual se acorda cedo e dorme tarde.
No entanto, meus vizinhos, as mais irritantes das coisas barulhentas e irritantes, ignoram esse princípio que me é tão caro (eles ignoram muitos outros também, mas esse é outro assunto). Eu nem acordo tão tarde assim no domingo, pois meu organismo já está condicionado à rotina, motivo pelo qual não consigo dormir bem após as seis da manhã. Pois é nesse momento que me levanto, abro minha janela e com um livro na mão vou tentar relaxar um pouco.
Tentar.
Mal o ponteiro marca sete da manhã e eles ligam o maldito som me obrigando a engolir aquela porcaria de brega, carimbo, sertanejo e o caralho a quatro....ughhhhhhgh, que raaaiva!!!!!!!
Bem...desculpe. Continuando. Pois hoje não foi diferente. Esperei toda a semana para ler uns trechinhos de “O Sol é Para Todos”, da Harper Lee, que tanto havia procurado em minha vida e acabei achando na segunda passada. Depois de dois minutos sentado enquanto perscrutava as páginas, a tortura explodiu como de hábito em ondas sonoras que fazem o bonequinho do Superman da minha mesa de trabalho pender de um lado para o outro.
A ansiedade chegou a níveis insuportáveis e não pude me conter. Como Michael Douglas em “Um Dia de Fúria”, resolvi hoje que ninguém vai se colocar entre mim e meus objetivos (nesse caso, o descanso) e decidi tomar a providência que havia evitado por tantos meses.
Larguei o livro sobre a mesa, fui ao quarto. Sem acordar minha esposa (como ela consegue dormir com aquele barulho ainda é um mistério da ciência!) puxei a caixa de aço que guardo embaixo da cama. Digitei o código de segurança e abri bem meu olho direito na frente do leitor de retina. Num click a caixa abriu e estava lá: O CANHÃO DESTABILIZADOR ATÔMICO. O mais temido artefato bélico secreto que veio parar em minhas mãos por meios que não posso revelar nem mesmo em meu diário, pois caso eu seja pegue pelas autoridades internacionais meus fornecedores não devem ser identificados.
Retirei cuidadosamente as peças e levei-as para sala onde montei a arma conhecida por todos como RAIO DA MORTE. Bufando de raiva, apertei o botão loading, abri a porta, atravessei o portão com meu querido brinquedo nas mãos e me dirigi à porta ao lado. Estava aberta. É incrível como esse povo primitivo ama a idéia de que todo mundo gosta ou é obrigado a agüentar as merdas que eles ouvem, arreganham suas portas e ficam em seus sofás, as cervejas e o tira-gosto no chão da sala e o som truando, pra aquele que passa ver o decadente espetáculo da degradação humana. Pois foi nessa cena que a destruição de verdade começou. O corpo batráquio do meu vizinho esparramado em sua poltrona exaltou-se ao perceber a arma em minhas mãos. Entrei como Schwarzeneger em Exterminador do Futuro 2 quando eles invadem a sede da Cyberdine. Os olhos arregalados pediam misericórdia. Mirei sem problemas no aparelho de som dele e disparei. As peças voaram na explosão. Sua voz anasalada, bem característica dos papudinhos da rua gritava: “Não!Não!Não”. Parado diante de sua deprimente figura, com um sorriso no canto da boca só consegui pensar em uma frase, tal minha inspiração naquele momento: “Hasta La vista...baby”. O disparo em sua direção, o clarão do raio, a sombra de seus ossos se desintegrando no ar e a mancha de pó no chão. Deleite. Puro, simples, verdadeiro deleite.

De dentro da casa, ouvi a voz esganiçada da mulher dele. Parecendo uma gralha gripada ela vinha com duas garrafas de cerveja na mão falando aos gritos (pessoas adeptas desse estilo de vida não só não têm noção do volume da música que ouvem como também não conseguem controlar a intensidade do som de suas próprias vozes e falam alto EM TODA E QUALQUER SITUAÇÃO): “Amoziiiiiiiiiim! O CD pirata arranhou de novo, foi?!”. Quando viu os resquícios do aparelho de som ainda soltando faíscas na estante e o monte de pó inútil que segundos atrás era um monte de carne inútil, largou no chão as garrafas e soltou um grito estridente que machucou profundamente meus tímpanos e me deixou momentaneamente desorientado ao que perdi a mira do meu segundo tiro e abri um gigantesco buraco em sua parede.
Ela tentou escapar correndo para dentro da casa. Fui em sua perseguição. Atravessei o corredor, sempre mantendo minha calma schwarzenegeriana olhando cuidadosamente cada cômodo. Como era previsto, encontrei minha caça em seu quarto. Tentou se esconder debaixo da cama...mas ficou entalada de tão gorda que era. Disparei o raio da morte na cama que ficou destruída, explodindo em pedaços. A mulher implorava por piedade, mas era impossível. A raiva que eu sentia por ter sido torturado tanto tempo tinha de ser executada e aquela era a minha chance de fazê-lo com estilo. Ela se debatia num pranto histérico. Fiz sinal de silêncio com o indicador nos lábios: “Psit!”, ao que ela paralisou-se imediatamente. “O sol é para todos”, eu disse com uma voz serena a La Clint Eastwood, “mas hoje, ele é só meu...” e desintegrei meu alvo com uma rajada de máxima energia do meu raio da morte deixando uma colossal mancha escura no chão.
Quando saí da casa, na rua havia dezenas de pessoas que se aglomeravam para ver o que estava acontecendo. Quando perceberam a arma em minha mão tiveram noção do perigo que corriam. “De hoje em diante”, bradei aos curiosos, “este será um lugar de paz e silêncio! Um lugar onde o cidadão poderá dormir sossegado aos domingos, ler durante a semana, assistir tranquilamente seus filmes preferidos sem ser importunado pelo som nauseabundo desse lixo que vocês chamam de música! Aquele que desobedecer minhas ordens terá sua ignóbil existência obliterada deste universo!”
Caminhei até minha casa, fechei a porta. Desmontei minha arma libertadora, minha Matriz da Liderança. Minha esposa ainda ressonava cândida no leito (como é que ela faz isso, meu Deus!) quando fechei a maleta e coloquei no lugar. Calmamente voltei à minha mesa, tomei o livro e li os trechos mais bonitos.
De repente, eu acordei, então no mundo real e não naquele sonho lindo que acabara de ter. O som ensurdecedor dos vizinhos malditos me acordou de novo. Caminho até a sala e vejo o Superman balançando de um lado para o outro. Alípio Martins canta “Lá Vai Ele Com a cabeça Enfeitada”. Triste realidade onde um homem acuado pela repressão cultural não pode comprar um canhão desestabilizador atômico no mercado negro...

5 comentários :

dilidevo disse...

ô ed, por gentileza troque a cor do fundo. n consegui lero seu blog. n consigo ilhar p ele q fico vendo estrelas!coloca uma cor clarinha. abraços. dili joe!

dilidevo disse...

poxa ed, q agressividade!ainda bemqela é liberada na literatura q escreve!Graças a Deus!

Marquinhos disse...

Perfeito!!!!
Adorei, principalmente a primeira fotinha!

- disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
- disse...

KKKKK. adorei edvaldo, morte a todos q escuta esse lixo. "Hasta La vista...baby” KKKK' muito foda mesmo VOCÊ É O CARA. ah minha mãe leu também, ela adorou. *--*

by: manú