sábado, 28 de dezembro de 2013

QUE FIM É APENAS O FIM?

Livraria atingida por ataque aéreo - Londres, 1940. 

Todo mundo tem algo que considera importante na vida. Um conjunto de pessoas, valores, noções que lhe são caras e que são o motivo de continuar. E no meio dessas coisas que se pode tocar e das outras que preenchem a alma, há aquilo de natureza indefinível.
Nem é matéria, nem energia, nem pensamento. O dia segue. Tristezas e alegrias, trabalhos e lazer. Tudo passa e é sorvido na velocidade de uma refeição. Mas a coisa indefinível está lá. Se você está me lendo agora, existe uma séria possibilidade da sua ser parecida com a minha. Já que eu não posso definir, talvez possa apenas falar algo a respeito. E se você sorrir...
Quando acordar é encontrar um sol manso, como se o próprio dia dissesse bom dia. Há uma solidão que parece um brinquedo novo, o papel de presente deixando um cheiro bom de surpresa, de ânimo. E esse brinquedo é dos que você aperta um botão e se transformam em outra coisa. Talvez seja da Glaslite, quem sabe da Gulliver ou da Estrela. Que diferença faz?
Há dias que a tarde é linda. Eu tento sempre pensar que neste exato momento há alguém plenamente feliz com tudo. Fico imaginando se um dia vou chegar a conhecer essa pessoa e numa conversa casual ela vai me dizer: “No dia tal eu estava tão feliz! Foi o melhor dia da minha vida!” E aí eu digo: “Sim, eu sei. Eu estava pensando em você.” E ele ou ela diz: “Impossível, isso foi há vinte anos, a gente nem se conhecia.” E eu digo: “Você nunca conversou com estranhos?”
Mas talvez a noite seja a mãe dos livros. É quando as musas passeiam e as ninfas cantam. Quando monstros despertam e os guerreiros bebem para saírem abraçados, cantando canções engraçadas. Hoje eles conhecem carros e ônibus que trafegam por avenidas iluminadas e os embates se dão entre catedrais e nas trevas dos becos.
Manhã, tarde e noite. O tempo possui fendas por onde escoam histórias, passagens para lugares imensos. De Nárnia à Terra do Nunca. A Terra Média, Shangri-la. Metrópolis, Gothan, os Domínios dos Perpétuos. Imatheria. E em sua mente, talvez aquele que jamais se repetiu.
Por aquilo que me move me perdi e me encontrei num outro tempo. Quando aqui acordei, vi que nada mais será como antes. Em sua busca talvez você se depare com o mesmo e também se assuste. Mas talvez aprenda lição semelhante à minha. Devemos ter grandiosos desejos, mas eles jamais podem ser maiores que nós mesmos. Eles devem nos completar e não nós a eles.
Tudo acontece quando a gente fecha um olho. Tudo acontece quando a gente fecha o olho certo. Isso faz a gente conquistar o dia e engravidar a noite. Ou engravidar dela. E ver nascer a luz de outro poder, abrindo fendas no tempo, se esgueirando entre realidades, mandando mensagens e conjurando amigos. Esta foi a jornada em busca de uma voz para o inominável. Saga de transformações, nascimentos e mortes. De promessas e ações. Fim verdadeiro.
E que fim é apenas o fim?
Se você sorriu...então somos irmãos. Que a paz do Altíssimo permaneça com você.

(Quem souber o autor da foto, por favor, mande comment.;)


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

NA BARRIGA DO PEIXE

Art by Kayamori


Reza a lenda que de tempos e tempos, Tracapus, o peixe galáctico que contém a passagem para outros universos em sua barriga, aparece neste mundo e leva consigo aqueles que possuem grandes aspirações.
Essa lenda ficou esquecida entre os mesopotâmicos, os hebreus e inúmeros outros povos antigos. Alquimistas acreditavam que quando Tracapus estava prestes a adentrar nossa realidade, aparecia décadas antes em sonhos (e pesadelos) de homens e animais, suscitando histórias, visões apocalípticas ao redor das quais charlatões, xamãs, médiuns e profetas eram construídos.
 Assim, Tracapus convoca seus aventureiros estimados ao redor do mundo. Ele os atrai para o alto mar e os engole. Depois de completada a busca, submerge e se vai para os recônditos desconhecidos onde por séculos se esconde.
Depois de acordar, o rapaz apenas sabia de tudo isso. O mesmo Jorge que sonhou com uma decisão no deserto, agora está diante do mar.
Assim como seus companheiros, jamais ouvira falar de Tracapus. Assim como todos os habitantes da cidade, não tinha ideia de onde vieram ou para onde iriam os barcos misteriosos que estava encalhados na praia há semanas. Mas seu olhar sereno aceitava o chamado de Tracapus. Era certo que os amados amigos o seguiriam, por isso a calma de seus passos.
E depois de embarcar, nada mais seria como antes. As coisas mudariam para Jorge e seus amigos. E as coisas mudariam também para Tracapus.

Até as Lendas sabem que uma mudança não vale nada se não for de dentro para fora. E que não merecem ser contadas se não forem completas. 

sábado, 23 de novembro de 2013

NO LIMBO

Art by Ben Zank


Jorge não sabia se estava vivo ou morto.
Só conseguia se ver num deserto e seus dois pés sobre uma faixa branca que vinha do infinito para trás e terminava no infinito para frente. De um lado da faixa, a dois passos, um prato de arroz. Do outro, a mais dois passos, um prato de feijão. Logo entendeu que cada alimento era um símbolo. Uma representação da vida e da morte.
Então lhe veio a ideia de que talvez aquele fosse o momento decisivo. Talvez tivesse sofrido algum acidente, ido parar num desafio etéreo e deveria optar. O que vai alimentar seu espírito a partir de agora?
Não fazia a mínima ideia. O tempo passava, seus pés amedrontados continuavam colados à faixa branca que os continha e os dois pratos esperavam a atitude definitiva.
Arroz é vida e feijão é morte? Ou o contrário?
Poderia passar a eternidade ali, mas daria na mesma. Por isso decidiu fazer o que não fizera durante toda sua existência: arriscar. E prometeu para si mesmo que se sua escolha representasse vida, passaria o resto dela envolvido com coisas que o satisfizessem tão plenamente que na próxima vez seu espírito não precisaria mais estar ali, envolvido com o solitário veredito, tomado de tormento com a certeza de que a missão não está ainda cumprida.
Fechou os olhos e sentiu um fino prazer outrora recusado veementemente. O prazer da dúvida.
Deu um salto e deliciou-se com uma maravilhosa poção... de arroz.


Este texto é resultado do exercício proposto por P.J. Brandão no último dia da oficina de storytelling do Vila das Artes. Crescimento verdadeiro e parte do “fino prazer”. O exercício consistia em criar uma pequena história em minutos, citando palavras escolhidas por livre associação e agrupadas aleatoriamente. As palavras que tive de usar foram: morte, arroz, feijão, etéreo.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O DIA DO IMPOSSÍVEL

Art by Sophie Blackall


Ele morava na casa ao lado. Não da minha casa. Da casa dos meus pais. Eu não morava lá, e sim com minha avó, alguns metros à frente. Para todos ele era um catador de lixo idoso e ranzinza que morava num casebre caindo aos pedaços com um quintal lotado de quinquilharias. Para mim ele era uma entidade indecifrável.
Um dia ele passou com sua carroça. O som das rodas era a trovoada dos passos de uma marcha de titãs. Eu estava sentado na calçada à espera de um amigo prometido pelo destino quando ele parou e pousou seu severo olhar sobre minha pequenez. A barba profética, grisalha pertencia a Zeus ou a quem quer que resida em pergaminhos. Pôs a mão no interior da carroça e sacou um imenso livro de capa vermelha. Uma enciclopédia. Abriu aleatoriamente e apontou a gravura de um homem primitivo diante de um lagarto gigante, sua lança em riste, pronta para lhe acertar a garganta.
- Era assim antigamente. – Disse. Seu dedo sujo parecia tão grosso quanto o tronco de uma árvore. – Eles brigavam com os monstro. Colocavam uma pedra amarrada num pau pra se defender.
Estremeci. Homens e monstros sobre o mesmo chão lutando pela sobrevivência. Formaram-se eras inteiras de uma história paralela em minha mente sobre como os humanos chegaram até aqui através de florestas, desertos e mares lotados de portentos ameaçadores.
- Fica com ele uns dias. – disse ele – Depois tu me devolve.
Por semanas eu comi aquela enciclopédia no lanche, no almoço e na janta.
Havia uma seção que me absorvia por horas. Uma figura do fundo do mar mostrando um homem nadando em trajes de navegador, sorrindo com um olhar absorto. Ao fundo um grupo de sereias. O título da seção dizia: “Mitos e Lendas do Mundo”. Era a parte que eu mais gostava. A noite ficava com medo dos gigantes, ogros, harpias. Podiam mesmo tais seres extraordinários ter tomado o mesmo lugar que nós na Criação?
Tempos depois o homem e sua horda de titãs invisíveis voltou e reclamou seu livro. Levou-o embora deixando um duelo entre as duas pessoas completamente diferentes para decidir qual delas se ergueria para a vida a partir dali.
Um dia fui até minha avó, tomado pela avidez suscitada pela dúvida, a mente vibrava ante a revelação que poria fim à grande luta.
- Domá, o que é um mito? – perguntei.
Esse foi o momento em que poderia ter nascido um garoto de mente objetiva e prática, capaz de enxergar o mundo com a segurança e a nitidez que protegem as coisas tangíveis. Ou um devaneador quixotesco afeito a transformar nuvens em pégasos.
- Um mito... – refletiu ela com o indicador sobre o lábio. Pensou por uns instantes e concluiu – Um mito é uma coisa que ninguém sabe se é verdade ou mentira.

Se minha avó tivesse respondido o que está nos dicionários, o garoto objetivo teria se erguido. Mas naquele dia, e para sempre, os exércitos dos cavalos alados venceram.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O MOMENTO DO PORTAL

Art by Juliana Lopes


Tudo o que se diz com mais certeza ainda é parte da grande interrogação. A certeza é mais eufórica quando um vento quente, um facho de luz ou um eco do impossível é ouvido. E aquilo nos parece resposta.
Sim, alegramo-nos com pequenas verdades, já que todo o resto parece encenação. A carne é fraca, mas a vontade é aço. E a pressa em chegar é o atalho do sumiço.
Ontem conversei com um dragão. Ele me falou sobre as vantagens do fogo. O calor de suas palavras me envolveu. Quis ser dragão.
Em sonho eu andava pelas cordilheiras de um país gelado. Dei-me com um castelo, uma sacerdotisa e um príncipe das neves. Disseram que o frio nos faz jovens para sempre. Acordei tocando todas as coisas com mágicos dedos roxos.
Os senhores da noite também vieram. O exército da destruição marchou na calçada. Também uma revoada de anjos que entoou a Boa Nova sobre o telhado e uma quimera que rosnou em meu ouvido. Todos eles transformam pensamentos em diamantes, mas nenhum trouxe a resposta para a questão primordial: o que sou eu?
Quanto mais eu vivo, quanto mais tropeço, mais percebo que é a única pergunta a ser respondida.
Os dias são marcados pela visita perspicaz dos gênios e demônios que adentram a morada da esperança. E os demônios vêm por portas semiabertas. Não os deixemos partir impunes. Querem roubar de nós o que é bom. Roubemos deles o momento do portal. Do mesmo jeito que entram sem bater, devemos aprender a sair sem avisar.
Eles querem nossa prisão. Que acreditemos nessa euforia de um final ilusório. Não se pode culpa-los. Enganar-nos é seu trabalho. O nosso é resistir.



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

DO LADO DE DENTRO

Art by Teresa Wegrzyn


O coração é um jardim. Rústico e caótico. Floresta colorida com declínios e ondulações entre as miríades de cores que apontam aqui e ali. Se imaginarmos cada flor como uma pessoa de nossa vida talvez possamos entender como as coisas funcionam naquele espaço.
Sim, sou o único jardineiro do meu jardim. Certas regiões estão abandonadas, as ervas daninhas que partem de lá, volta e meia ameaçam a harmonia predominante. Se crescerem poderão destruir minhas flores mais bonitas. Mas elas não valem o trabalho de mata-las. O mal avança sorrateiramente, mas o bem pode ser tão astuto quanto.
Tudo depende de como você cultiva. Porque não há como escolher as flores que nascem.
O jardim do coração muda o tempo todo. Pequenas margaridas, tímidas e inseguras, podem transformar-se em pomposas magnólias, ao passo que magníficas orquídeas mudam-se facilmente em humildes boninas ao amanhecer.
Lágrima de orvalho, sorrisos de borboletas. Está tudo lá quando alguém incrível mora naquele pedacinho de coração que você tanto cuidou. Nem sempre é o pedaço que cresce, mas... não há um canto do jardim que jardineiro ama mais?

Mas o que mais gosto nesse meu patético anacronismo idílico é saber que não importa o quanto eu esteja mal nem a intensidade do temporal que despenca além dos portões do meu jardim. Dentro dele as flores são perenes. Dentro dele é sempre primavera.

“Por favor, não ponham um marcapasso
no espaço do meu coração (...)
Ponham num daqueles potinhos
Com água e açúcar
Em que o beija-flor vem beber.” 
 A Banda Mais Bonita da Cidade, Potinhos

sábado, 28 de setembro de 2013

TIMERE DIEN

Art by Michael Marsicano


O sol é meu despertador e o dia é um filme surrealista.
Olho pelas persianas e vejo seres estranhos que seguem para o trabalho sem se perguntar aonde vão. Tenho medo de pôr o pé fora de casa e me tornar um deles. Olho de cima da minha torre. Não sou uma sentinela. Só o sobrevivente de uma guerra da qual me recuso a participar.
Lá vai um gigante com o planeta nas costas. Ele não sabe, mas eu o admiro porque mesmo com o peso ele sorri. É necessário força para carregar o mundo. Muito mais para sorrir diante do sofrimento.
 No sentido contrário vem um enorme sapo que insulta os filhos e protege quem está fora. Dele eu não gosto, mas seus filhos me fazem ver que a beleza surge do improvável.
Se eu espero mais um pouco vejo um esqueleto milenar que conviveu com faraós. O faraó morreu com tesouros em volta e os ossos daquele homem continuam sendo ossos de um escravo.
Aqui continuo a luta silenciosa. Vitórias e derrotas. O chamado pelo Eu do Futuro para revelar os passos seguintes. A espera pelo Formidável Golpe de Sorte. Um diálogo difícil com a solidão. Tento convencê-la de que não é necessária, de que posso crescer sem ela. Peço que vá embora e ela insiste em ficar. Aí eu saio.
Mas não é assim que se joga. Cada dia que passa me convence mais de que não há uma chave para o equilíbrio. Não há como saber o que devo ou não entregar para o mundo. Penso nos amigos vividos em experiências, nos livros dos iluminados, até nas mentiras dos poetas invisíveis. Ninguém terá as respostas. Precisarei construí-las, forjá-las como Hefesto fazia como as armas de Aquiles em seu imenso lar de lava.
Agora é noite. Dorme o gigante. Descansa o sapo. Recolhe-se o esqueleto. Ainda estou acordado com promessas e esperanças. 




terça-feira, 27 de agosto de 2013

FIM DE UNS DIAS...



Quando há um incêndio na floresta, muitos animais fogem. Outros permanecem e ajudam a apagar fazendo o melhor que podem. Boa parte deles morre nisso.
Mas há um tipo de criatura que simplesmente vai para o topo da colina e assiste tudo. Aparentemente calmo.  Como se não se importasse com o destino do lugar. Como se não estivesse fazendo nada...
O movimento de suas mãos é sutil. Não dá pra ver em meio à correria e desespero. Mas os movimentos mais suaves geram grandes ventos. O velho bater de asas da borboleta. Cada um de nós deve dar uma pequena contribuição para o caos, pois ele é o pai das mudanças.
Olhe com atenção para os insensatos. Eles podem viver sem que se confie neles. Mas você poderá viver sem confiar ao menos um grande desejo a eles? Mesmo vendo reais possibilidades de decepção?
Que bons ventos levem perfumes de calma para sua vida, mas que também levem o fogo transformador. Há um incêndio sobre o qual jogo singelos e cínicos gestos. O brilho e o calor são intensos. Ainda não sei se isso é bom ou ruim, mas sei que é vida. E de qualquer jeito a vida é sempre bela.

Obrigado a todos. Até breve.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

AS PEQUENAS IRONIAS

Art by Stanley Kubrick


Você já passou a gostar de alguém que um dia odiou?
É um grande golpe. Deixa nossa cara no chão.
Mas convenhamos, é muito divertido. Devolve-nos à condição de mortal. Revela um segredinho valioso e o que aparentemente é uma terrível humilhação acaba nos engrandecendo. E tudo o que aconteceu foi que notamos a pequena verdade de que no fundo ninguém é totalmente mau ou bom.
Quase dá para se odiar também. A vida é mesmo uma ironia kubrickiana. Somos a criancinha assistindo o sobe e desce da montanha-russa a se perguntar se vamos aguentar a violência da descida. E é descendo que a gente pensa no que fez.
Posso dizer para vocês que dói. Mas toda dor fica suportável quando a gente sabe seu significado. E ficamos assim, vacinados. Aprendendo que não somos senhores nem do nosso próprio olhar sóbrio.
Quem dera soubéssemos a sagrada arte do “nunca julgar precipitadamente”. Aquela mesma que é irmã do “colocar-se no lugar do outro”. As cicatrizes são necessárias e talvez nossos melhores amigos estejam escondidos entre os inimigos.
Porque os mais formidáveis inimigos são aqueles que carregam pedaços de nós.

Onde eu paro e me viro, saio para outra volta/ Até que eu volte ao fundo e te veja novamente.” – Helter Skelter, Beatles.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

EXCELSIOR...

Art by Andrew Lyman

Olhar ao redor e se perguntar o que é sublime. Onde ele está e com o que se parece. Quantos de nós o procuramos? Quantos de nós o enxergam? Apaixonamo-nos por aqueles que dizem já tê-lo alcançado. Mas quem o fez apenas conta a história de como ele lhes fugiu das mãos.
O sublime engana. É um espectro de cores cujos olhos são incapazes de captar sozinhos. Há algo com sentimento que muitos deixam para trás. Ou fingem não se importar.
É um jeito de dizer o que se sente. Uma forma excêntrica do sol brilhar sobre as cabeças. A ordem dos romances e dos poemas marcando com beleza singular os melhores momentos da vida. É um grito que reverbera contra as paredes do cansaço.
Nós queremos acontecer sublimes nas vidas das pessoas. Isso é vaidade, sim, mas a mais inocente. E eu sei que não procuramos as mesmas coisas para crescermos na graça de uma existência sagrada. Mas o valor de cada gesto, desde o beijo até a mordida, é o mesmo para todos.
Pois eu rogo pelo que vem do alto. Suplico para que você e eu cheguemos às nuvens. Que escrevamos as mais belas cartas. Que digamos coisas cada vez mais brilhantes. Que possamos descobrir nossa arte e viver dela, ou com ela, quem sabe apenas por ela. Cresça e cultive sua essência. E quando eu tiver fome do belo, buscarei as suas mãos e seu olhar. Porque ninguém faz o que você faz. E ninguém vê as coisas como você.

Sele este pacto comigo e iremos viver eternamente.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O SERENO E A TEMPESTADE

Art by Julien Coquentin


Quando ela se aproxima a gente sabe.
Há tempos comecei a pensar num jeito de ficar firme na tempestade. Uma forma engenhosa de não sair voando com o vento e me chocar contra paredes. É o trabalho de uma vida chegar nesse estágio. Um Nirvana dinâmico de invencibilidade.
Cada experiência e sentimento com os quais tenho trombado ao longo desses anos são em dado momento uma bênção, em outro uma maldição. Como ventos e chuva que destroem, mas que limpam o caminho. Há livros, pergaminhos, e por gerações os anciãos disseminam a grande cabala da serenidade, mas parece que isso não é algo que se alcança ou encontra. Quanto mais vivo, mais imagino que é algo que se escolhe.
Na semana que passou, sofri o Apocalipse e germinei alternativas. Algo morreu em mim e alguém morreu lá fora a morte que desenhei. Algumas peças se encaixam de forma tão inusitada que nos fazem parecer ridículos com as mãos na cabeça, buscando soluções complexas quando a única coisa a ser feita é juntá-las, mesmo duvidando da união. Não há nada tão ridículo quanto viver. Nada tão doloroso e mágico a um só tempo.
Vejo algumas pessoas de braços abertos na tempestade, deleitando-se da possibilidade de ser tragado definitivamente. Não consigo entender como elas ousam. Ficar firme é, talvez, impossível. Talvez seja só olhar para o céu revolto e abrir os braços. Vai ver que o céu, como o abismo, nos olha de volta e teme não conseguir nos derrubar. Então se acalma.

No final, é escolha. Mas no começo é coragem.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

DISCUTINDO COM ORÁCULOS DURANTE O APOCALIPSE

Art by J.H.Williams III

Hoje, quando abri os olhos, tudo ainda estava uma bagunça.
Há tempos tento ajeitar as coisas, mas conserto algo aqui e algo se desfaz em outro lugar. Um mestre verdadeiro fez falta em cada momento, mas tarde me dei conta de que o melhor mestre deveria ter sido eu e minha experiência. Nunca é tarde demais para aprender, mas isso não livra a gente dos danos.
Não me restou alternativa além de levantar e continuar o destroço. Já que as coisas estão caindo, que eu mesmo destrua aquelas que estão me destruindo. Mesmo que isso signifique comprometer o resto. Então fui para o trabalho e acabei com ele. Depois fui para o lugar onde Deus e eu travamos uma eterna batalha. Eu sei que não deveria, mas fico com raiva por Ele nunca responder às minhas perguntas. Duas ou três respostas resolveriam meus problemas. Quem sabe? Mas Ele insiste nessa história de “caminhos misteriosos”.
E é por isso que recorri ao Oráculo.
Tenho vários aos quais recorro. São meros bálsamos. Paliativos. Uns mais confiáveis que outros, e este era o que eu mais costumava acreditar. Eu sei que a resposta definitiva vem só do Criador. Mas você sabe, eu sou humano.
Diante do Oráculo eu fiz as perguntas. Ele respondeu com palavras tortas, como sempre, mas respondeu. Eu tentei desentortar as palavras, mas não gostei de como ficou. Ele me disse que aquilo que mais me apaixona não me trará boa fortuna. Que aquilo que me fortalece me enfraquecerá e que não seria prudente forçar-me a tentar transpor os obstáculos.
Todos nós temos uma essência. Algo que nos define. Ás vezes demora o tempo de uma vida para entender o que é. E na maior parte do tempo, pessoas como eu, que já a encontraram ficam, por um motivo ou outro, colocando isso à prova. Mas se há algo bom em ver tudo ao redor se desfazendo é a capacidade de duvidar do destino que lhe é apresentado. Se existe essa força, que ela seja soberana.

Se algo está determinado, se caminhamos por linhas escritas de um devir inexorável, perdão eu peço a todos os Oráculos. Se essa é sua melhor resposta, serei forçado a dobrar as perguntas.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

OS CORAÇÕES VOLÁTEIS

Art by Benjamin Carbonne


Está tudo no devido lugar, até o reflexo do sol nas folhas molhadas das plantas dos vizinhos. E cada passo que damos é o de um guerreiro indestrutível. Pode até haver sangue, mas no final haverá você e mais alguém.
E ela é a pessoa mais importante do mundo. Naquele dia.
As coisas mudam o tempo todo. Um dia eu tive um grande amigo. Um dia você teve um grande amor. A criança um dia coube na palma da mão.
Um velhinho contempla os degraus e se vê há cinquenta anos atrás saltando-os habilmente. O garoto forte e faceiro daquela época o olha de volta lá de cima, sorri e diz: “Esse tempo se foi, meu velho”.
Todas as coisas estiveram juntas num mesmo objeto. Uma enorme bola de energia e matéria no meio do nada que explodiu e jogou nossos pedaços espaço afora. Quem poderia saber se as moléculas que hoje me formam estariam ou não próximas daqueles que amo?
Nossos corações são inconstantes e medem a felicidade construindo calendários com os dias lindos. Esses dias se repetem continuamente como um vídeo em loop. Porque nunca é para sempre. E é assim que fica. O grande segredo reside em estar bem com revisitar o filme e deixar que outros os sucedam.

As pessoas são como aqueles rios do filósofo. Nunca as encontramos do mesmo jeito. As águas são outras, as ondas não têm a mesma forma. Mas os dias que os corações voláteis coletam não acontecem sem elas. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

UM ACEPIPE ALQUÍMICO

Foto: Baggieri- Boccassini

Esta noite compartilharei com as senhoras e senhores uma singela iguaria advinda dos escritos místicos dos antigos mestres de uma antiga arte.
Esses arcanos irmanam em idade e natureza com aqueles professados por Agripa e Flamell. São de difícil execução, secretos pelo árduo processo e quando em conjunto, suas práticas assemelham-se com a obtenção da Pedra Filosofal.
Apascentem, pois, seus corações, caros condiscípulos, que ao final desta fórmula saberão por que alcunha é conhecida tal arte nos meios ocultos e como é nomeado seu grão-mestre.
Além da aqua matter, imprescindível em todo processo alquímico, três outros elementos são necessários antes do Nigredo, isto é, do cozimento. O primeiro é a aqua lactea, sumo vital destilado pelo animal cujas culturas orientais julgam divino. O segundo, um composto artificial preparado por mãos indóceis a partir de cereais. E por último, os cristais da lua que conferem doçura a todo preparado a que são adicionados. Unindo os referidos elementos, procede-se o Albedo, isto é, a união das partes à aqua matter. Só então pode seguir-se o Nigredo.
É mister lembrar que aqua matter deve estar aquecida para suprir de Força Vital o preparado. Com a mistura, ocorre a Citrinitas e em seguida o Rubedo, isto é, a Transmutação. Ao final, o grão-mestre acondiciona a fórmula em recipiente especialmente desenhado para o consumo de um ser criado de sua própria carne e sangue, porém, infinitamente mais adorável e mimoso que um homunculus ou um Golem.
O grão-mestre oferece então o preparado nos períodos matutinos e também muito após o crepúsculo para o deleite do pequeno ser cujo regozijo fornece, a esse sacerdote e sua consorte, um gigantesco dínamo de energia superior ao que faz o Elixir da Longa Vida.
Esta, pois, meus afeitos, foi a fórmula milenar que os panteões cabalísticos batizaram com a extraordinária designação de Mingau, tal qual o fizeram aos filhos de Marte que a reconstituem como Grandes Beneméritos da Ordem dos Pais Apaixonados.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

ADENTRE O VÓRTICE parte I - MISSÃO DE NADINE

Arte de Douglas Vasconcelos


Nadine quase corria puxando seu cãozinho Fidalgo pela corrente. Ela queria muito comer um sonho naquele dia.
- Desculpa aê, meu amorzinho! – dizia ela a seu pequeno amigo ofegante.
As moedas tilintavam no bolso grande de seu macacão jeans e o suor pingava de sua fronte loira. Quando chegou à padaria, o bom padeiro  Vicente tinha um sorriso enigmático no rosto.
- Hoje é um dia especial, Nadine. – saldou-a de braços abertos por trás do balcão. – Você mataria pelos sonhos de hoje.
- Eu sei, Vicente! – ela encostou o nariz contra a vitrine do balcão salivando mais que Fidalgo ao olhar para o doce maravilhoso que brilhava à sua frente.
Ela nervosamente começou a arrancar as moedas do bolso, colocando-as no balcão sob o olhar de Vicente. Quando terminou com as moedas, sem conta-las, Vicente as apontou e disse sorrindo:
- Está faltando cinco centavos, querida.
- Ô, Vicente!- protestou ela – Você já deixou eu levar doces mais caros de graça antes!
- Desculpa, Nadine, mas esses sonhos você vai ter que pagar mesmo.
Nadine se desesperou. Acordara com um desejo imenso de comer os sonhos que o Vicente fazia. Como se sua vida dependesse daquilo. Como se toda a História da Humanidade dali para frente dependesse daquilo. Não ficou chateada com seu amigo padeiro, mas teve de recolher suas moedinhas e ir embora sem seu doce. Sentou-se de braços cruzados à uma sombra de árvore na praça. “Eu tenho que ter aquele sonho”, pensava. “Ele é meu! Eu sei que é!”
Enquanto Fidalgo cavava buracos na grama, ela ficou ali. Seu desejo foi tão grande, mas tão grande que um portal se abriu perto de onde o cachorrinho brincava e o assustou. De lá saiu um Ser. Ele vestia um elegante terno preto. Era esguio como um palhaço com pernas de pau e tinha enormes e lustrosos bigodes que emitiam ondas em forma de cacos de vidros coloridos.
- Saudações, linda garotinha! – disse o Ser.
- Olá, senhor Homem do Furacão...- respondeu ela admirada.
- Vejo que você quer algo de todo o coração. Você está pronta para pagar por isso?
- Sim. – disse ela- Mas eu não tenho todo o dinheiro e o Vicente não me deu o que eu queria.
O Ser andava ao redor dela, desajeitado com suas longas pernas como um vitral de igreja ambulante. Fidalgo teve medo dele e correu para trás de sua dona.
- Não é com dinheiro que se compram sonhos, menina. É com missões. Diga que vai cumprir a missão que vou lhe dar e terá o que quer.
- Tudo pelo que meu coração anseia, senhor Homem do Furacão.
O Ser ergueu os braços e fez aparecer um pequeno vórtice dentro de um vidrinho de maionese e o entregou nas mãos de Nadine. Disse-lhe que deveria encontrar alguém que tivesse um pé na Terra e outro nos Céus. Que ela deveria entregar-lhe o vidrinho e dizer que com aquele presente essa pessoa teria o poder de levar para dentro de sua mente aqueles que lhe despertassem as mais fortes emoções. Bastava que pensasse muito naquela pessoa e lhe dissesse em pensamento: “Adentre o Vórtice”.
Nadine se assustou com a missão que lhe foi dada. Onde raios encontraria alguém assim?
- Se você diz que o doce é seu, linda menina, basta aceitar a missão e a vida tratará de fazê-la cumprir. Você tem ou não coragem?
Ela abraçou o vidrinho com o pequeno vórtice a rodopiar lá dentro. Respondeu que sim ao se lembrar de como Vicente havia caprichado no creme. O Ser sorriu satisfeito, deu meia volta e retornou para o portal que se fechou em seguida.
Durante todo o dia Nadine e Fidalgo perambularam pelas ruas atrás de alguém que tivesse um pé na Terra e outro no Céu. Andou tanto que já estava quase desistindo. Estava cansada e começava a se entristecer, pensando que jamais conseguiria sentir o gosto delicioso daquele sonho. Mas então aconteceu que Fidalgo, que era bem safadinho, sentiu o cheiro de uma cachorrinha muito jeitosa e saiu correndo feito louco atrás dela. Nadine o seguiu correndo com o vidro na mão para pegá-lo.  
Atravessou no meio dos carros da avenida, derrubou uma barraquinha de frutas, passou por dentro da casinha de papelão de um mendigo e acabou trombando com um moço simpático que se enrolou com a coleira de Fidalgo. Os três caíram no chão e um monte de papéis voou das mãos do rapaz. Nadine aproveitou a queda e segurou a corrente de seu cachorrinho. Por muita sorte ela não deixou o vidro se quebrar. Mas ficou muito sem jeito, pediu mil desculpas a ele e o ajudou a juntar as folhas.
- O que é tudo isso? – perguntou ela.
- Não se preocupe. São apenas histórias. Se perder alguma eu invento outras.
- Uau! Você é um contador de histórias!
- Na verdade não. – respondeu ele apanhando suas folhas - Eu só as faço porque gosto muito. Se eu pudesse só faria isso o tempo inteiro. Mas não posso porque preciso trabalhar em outra coisa. É uma pena eu ter que ficar assim, dividido.
O rapaz agradeceu e continuou seu caminho. Nadine teve um estalo quando ele disse aquilo. Lembrou-se das palavras do Ser.
- Espere!- gritou ela – Eu tenho algo pra você!
Então ela lhe entregou o vórtice e explicou tudo, tal como fora mandado. O rapaz ficou aturdido com aquilo, mas aceitou o presente e foi embora.
Novamente o portal se abriu e o Ser emergiu dali com a face triunfante. Arremessou para ela uma moedinha de cinco centavos e disse:
- Todos vocês mortais estão sempre a apenas cinco centavos de ter o mais belo de seus sonhos à mão. Basta aceitar a missão.
Ele piscou, sorriu orgulhoso e sumiu de novo. Ela correu com Fidalgo até a padaria e conseguiu comprar seu tão almejado doce. Foi o mais gostoso que ela comeu na vida. É claro que deu um pedacinho para seu companheiro peludo, afinal ele a ajudou a cumprir sua estranha missão.
Nadine jamais se esqueceu do que aprendeu naquele dia. E sabia que o rapaz teria momentos mágicos com sua dádiva. E teve a certeza de que se encontrariam de novo um dia.
 [Continua.]


segunda-feira, 1 de julho de 2013

CANTIGA DE AMOR PARA MIA SENHOR

Art by Noel S. Oswald


Hoje ela é maior que tudo, mas cabe em tudo. No passado, no presente e no futuro.
Afugentou damas de névoa e trouxe consigo um chão sobre o qual eu deveria pisar. Dividiu mundos e destruiu outros. Descobriu salas de segredos, forçou outras a surgirem nos limbos etéreos de dimensões que ela não enxerga.
Por ela eu calei uma voz afetada. Por causa dela eu criei um idioma para mim, um para os humanos e outro para os anjos.
Senhora das coisas que podem ser tocadas. Senhora do equilíbrio. Senhora das perguntas e das batalhas. Do que sou feito, afinal? Do aço que o mundo exige ou da bruma que meu pensamento cultivou?
Não desisto mais, embora as rotas de fuga estejam ainda abertas. Para onde eu tiver de ir, deverei ter costas para carregar as nossas coisas e todo sonho precisa ter uma porta capaz de lhe deixar passar. Ainda que você não passe, ainda que não me leia, ainda que só use sua língua enquanto as palavras mais bonitas estejam escritas no idioma dos anjos. E que do lado de fora da fortaleza as damas banidas lancem os olhares e beijos e me chamem como sereias das nuvens.
Um dia ela foi inalcançável. Há provas disso. Quando as vejo, sei do que posso.
E se me assoma sofrimento e dúvida, fremosa esposa e mia senhor, respiro e volto às promessas que fiz. Se foi com palavras que eu lhe trouxe, com palavras lhe hei de levar.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O CAMINHO SUAVE

Art by John Whalley


re.si.li.ên.cia 

sf (ingl resilience) 1 Ato de retorno de mola; elasticidade. 2 Ato de recuar (arma de fogo); coice. 3 Poder de recuperação. 4 Trabalho necessário para deformar um corpo até seu limite elástico.


Dizem que no pior momento, agradecer o que se tem ajuda a vencer a adversidade.
Muitas pessoas recorrem a isso. Conheço algumas. Funciona para elas, mas confesso que até agora não tentei de verdade. Minhas estratégias de resistência não são lá das melhores. Se houver guerra, não me chame para estar sobre os mapas. Prefiro ser um kamikaze. Isso não é nada esperto, mas é o que eu tenho por enquanto.
É difícil pensar quando se está no olho do furacão. A gente só pensa em fugir, em se proteger até tudo passar. Quando as coisas estão bem ruins só vem à minha mente os ensinamentos do mestre Jigoro Kano sobre os galhos mais flexíveis serem os mais resistentes. Talvez um dia eu entenda isso com o coração. Enquanto isso eu ensaio um movimento suave, como se a serenidade fosse uma arte marcial. Estou ficando velho. Um dia vou ter que aprender a fazer isso direito. E estes são meus canhestros primeiros golpes
Agradeço pela minha filha ter o sorriso desdentado mais lindo do Universo. Agradeço por minha esposa ter o sorriso dentado mais lindo do Universo. Agradeço pela risada da minha mãe ser um trovão. Agradeço por Morrissey e Dylan estarem vivos e bem. Agradeço por ter uma amiga que faz Cinema. Que droga, agradeço por todos os filhos da mãe que são meus amigos. Agradeço por meus inimigos conhecerem muitas fraquezas minhas, mas não fazerem a mínima ideia de qual é a maior delas.
Agradeço por um pequeno terreno em um planeta distante onde acredito ser um bom rei.
Agradeço por ser capaz de juntar uma palavra com a outra e dizer algo que pode ou não ser eterno. A possibilidade de que seja é o meu combustível. Se é pequena ou grande, foda-se. Eu amo isso.
Agradeço pelas pessoas que me enchem o saco de verdade sempre perceberem que estou prestes a lhes meter a mão na fuça. Eu jamais faria isso, sou contra violência. Mas eles não sabem.
Agradeço pelo Superman ter finalmente derrotado o Apocalipse. Até aquela versão inteligente que o Darkside criou dele lá pelo número 43.
Agradeço por ter uma ideia de Deus que nem a minha religião, nem a sua, nem ninguém consegue abalar. E mesmo quando eu mesmo ponho em xeque essa ideia, alguma coisa acontece e me faz acreditar mais ainda.
Não sei se funcionou.
Foi um alívio rápido certamente. Como dizem os otimistas, há sempre o que agradecer. Eu não faço parte deles ainda, mas tenho de admitir que, pelo menos nisso, eles tem razão. Se vai resolver meus problemas isso não dá pra dizer agora. Mas vai ajudar muito se eu puder finalizar isso assim...
“Agradeço por você estar se sentindo bem neste exato momento.”



es.pe.ran.ça 
sf (de esperar) 1 Ato de esperar. 2 Expectativa na aquisição de um bem que se deseja. 3 Aquilo que se espera, desejando. 4 A segunda das três virtudes teologais, simbolizada por uma âncora ou pela cor verde. 5 Entom Nome comum a vários gafanhotos, da família dos Tetigonídeos, os quais possuem asas anteriores verdes, antenas setáceas, geralmente muito mais longas que o corpo. Apresentam o fenômeno do mimetismo. Antôn (acepção 1): desespero. E. em verde:esperanças de realização duvidosa. Andar ou estar de esperanças: estar no período da gravidez. Dar esperanças: a) incentivar as aspirações de alguém; b) dar mostras de vir a ser distinto em alguma coisa.
(Dicionário Michaelis On Line)