![]() |
Art by Noel S. Oswald |
Hoje
ela é maior que tudo, mas cabe em tudo. No passado, no presente e no futuro.
Afugentou
damas de névoa e trouxe consigo um chão sobre o qual eu deveria pisar. Dividiu certos mundos e destruiu outros. Descobriu salas de segredos, forçou outras a surgirem
nos limbos etéreos de dimensões que ela não enxerga.
Por
ela eu calei uma voz afetada. Por causa dela eu criei um idioma para mim, um
para os humanos e outro para os anjos.
Senhora
das coisas que podem ser tocadas. Senhora do equilíbrio. Senhora das perguntas
e das batalhas. Do que sou feito, afinal? Do aço que o mundo exige ou da bruma
que meu pensamento cultivou?
Não
desisto mais, embora as rotas de fuga estejam ainda abertas. Para onde eu tiver
de ir, deverei ter costas para carregar as nossas coisas e todo sonho precisa
ter uma porta capaz de deixar que ela passe. Ainda que não passe, ainda que
não me leia, ainda que só use sua línguagem enquanto as palavras mais bonitas
estejam escritas no idioma dos anjos. E que do lado de fora da fortaleza as
damas banidas lancem os olhares e beijos e me chamem como sereias das nuvens. Só ela existe.
Um
dia ela foi inalcançável. Há provas disso. Quando vejo essas provas, sei do que posso.
E se me assoma
sofrimento e dúvida, fremosa esposa e mia
senhor, respiro e volto às promessas que fiz. Se foi com palavras que eu
lhe trouxe, com palavras lhe hei de levar.
Nenhum comentário :
Postar um comentário