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Art by Julien Coquentin |
Quando
ela se aproxima a gente sabe.
Há tempos
comecei a pensar num jeito de ficar firme na tempestade. Uma forma engenhosa de não sair
voando com o vento e me chocar contra paredes. É o trabalho de uma vida chegar
nesse estágio. Um Nirvana dinâmico de invencibilidade.
Cada
experiência e sentimento com os quais tenho trombado ao longo desses anos são
em dado momento uma bênção, em outro uma maldição. Como ventos e chuva que
destroem, mas que limpam o caminho. Há livros, pergaminhos, e por gerações os
anciãos disseminam a grande cabala da serenidade, mas parece que isso não é
algo que se alcança ou encontra. Quanto mais vivo, mais imagino que é algo que
se escolhe.
Na
semana que passou, sofri o Apocalipse e germinei alternativas. Algo morreu em
mim e alguém morreu lá fora a morte que desenhei. Algumas peças se encaixam de
forma tão inusitada que nos fazem parecer ridículos com as mãos na cabeça,
buscando soluções complexas quando a única coisa a ser feita é juntá-las, mesmo
duvidando da união. Não há nada tão ridículo quanto viver. Nada tão doloroso e
mágico a um só tempo.
Vejo
algumas pessoas de braços abertos na tempestade, deleitando-se da possibilidade
de ser tragado definitivamente. Não consigo entender como elas ousam. Ficar
firme é, talvez, impossível. Talvez seja só olhar para o céu revolto e abrir os
braços. Vai ver que o céu, como o abismo, nos olha de volta e teme não
conseguir nos derrubar. Então se acalma.
No
final, é escolha. Mas no começo é coragem.
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