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Art by Stanley Kubrick |
Você
já passou a gostar de alguém que um dia odiou?
É um
grande golpe. Deixa nossa cara no chão.
Mas
convenhamos, é muito divertido. Devolve-nos à condição de mortal. Revela um
segredinho valioso e o que aparentemente é uma terrível humilhação acaba nos
engrandecendo. E tudo o que aconteceu foi que notamos a pequena verdade de que
no fundo ninguém é totalmente mau ou bom.
Quase
dá para se odiar também. A vida é mesmo uma ironia kubrickiana. Somos a
criancinha assistindo o sobe e desce da montanha-russa a se perguntar se vamos
aguentar a violência da descida. E é descendo que a gente pensa no que fez.
Posso
dizer para vocês que dói. Mas toda dor fica suportável quando a gente sabe seu
significado. E ficamos assim, vacinados. Aprendendo que não somos senhores nem do
nosso próprio olhar sóbrio.
Quem
dera soubéssemos a sagrada arte do “nunca julgar precipitadamente”. Aquela mesma
que é irmã do “colocar-se no lugar do outro”. As cicatrizes são necessárias e
talvez nossos melhores amigos estejam escondidos entre os inimigos.
Porque
os mais formidáveis inimigos são aqueles que carregam pedaços de nós.
“Onde eu paro e me viro, saio para outra volta/ Até
que eu volte ao fundo e te veja novamente.” – Helter Skelter, Beatles.
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