domingo, 14 de março de 2010

INVOLUTION- PART TWO

Cinco e meia da manhã. Pulo da cama atordoado com o despertador. Rapidamente tomo banho, me arrumo, coloco na bolsa o material necessário para as habituais quatro aulas que leciono todas as manhãs. Beijo minha esposa que ainda dorme. Saio pelas ruas desertas até o ponto de ônibus observando as cores do céu e os desenhos das nuvens, os olhos bem pequenos ainda enxergam os sonhos.
Vários minutos esperando. “Porra de ônibus demorado do caramba...”
Lá vem o Cuca Barra. Lotado. Equilíbrio, destreza. “Desculpe, pisei no seu pé sem querer”.
O rádio toca alto. “Biurefú gueeel!?”. O motorista não imagina que nem todo mundo gosta de forró . Abro minha bolsa, puxo o mp4 e ponho Jimi Hendrix. “Eu não vivo hoje. Que vergonha desperdiçar seu tempo assim...”


Chego ao colégio. Aula de Biologia. Enquanto escrevo coisas no quadro as meninas só falam de Big Brother. Os meninos só falam de futebol. Por mais que alguns segundos persiste em mim a idéia (certamente equivocada) de que suas vidas se resumem a esse papinho vazio.
Onze e meia. Estou de novo dormindo de pé na parada de ônibus. “Porra de ônibus demorado do caramba...”
O Sol assassino incendeia minhas esperanças. No ônibus uma voz imbecil tenta encaixar versos tão vazios quanto a conversa dos alunos numa melodia pobre. “Mão na cabeça que vai começaaaaar...”
Puxo o mp4. Bob Dylan. “ Melhor começar a nadar ou você afundará feito uma pedra...”


Lembro que as mudanças são lentas e tento me concentrar na seguinte verdade: o mundo precisa ser assim. O mundo é perfeito do jeito que está.
Gostaria de acreditar nisso, pois não acredito mesmo sabendo que é verdade.
O mundo é (quase) perfeito do jeito que é. Só queria que as pessoas morressem menos.

Um comentário :

NATALIA disse...

“Biurefú gueeel!?'' de manha cedo!
já passei por isso, terriiiiivel!!