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Janitor Pansophus, in Musaeum Hermeticum, Francoforte, 1749 |
Cada coisa que a gente faz e deixa de fazer é
uma linha que segue numa direção desconhecida. Algumas dessas linhas são
completamente ignoráveis. Mas algumas seguem acontecendo em algum lugar de
nossas mentes. E elas não morrem, ficam lá, vivas como um filme incrível
passando em outro canal. Mas você não pode simplesmente mudar de canal. O filme
que você está vendo neste momento é o filme que você escolheu.
E
aqueles eventos, filhos do “e se...?”
vão crescendo e nunca nos abandonam. Vão se expandindo. Verdadeiras galáxias do
possível. Sementes de sonhos e de histórias. De escolhas e abandonos.
Um
amor que não foi em frente. A profissão que você não seguiu. O perdão que você
não pediu. Mundos e mais mundos. Em um deles você é mais rico que o Silvio
Santos. Em outro você é um monge budista. Em outro você já está morto.
Descobriu a cura da AIDS...tornou-se a pessoa mais velha do mundo...escreveu o
romance do século...está preso por assassinato...viveu feliz para sempre...
Sempre
fico aterrorizado ao perceber que alguns gestos muito simples, alguns
distraídos, outros aplicados deliberadamente, podem criar um pequeno Buraco de
Minhoca, aquela dobra no espaço-tempo que pode nos fazer enxergar e até modificar
o que está acontecendo agora mesmo naquela realidade escondida no ocaso do
esquecimento. E me pergunto o que acontece quando galáxias colidem.
Isso
está nos livros. No olhar de um velho mendigo em pose mística que sorri para o
nada. Nos movimentos robóticos das mãos de um bebê. Nos desenhos das nuvens de
fuligem que mancham o futuro.
A
gente fecha os olhos e vê a singular dança dos astros e pode ser na juventude
ou no crepúsculo da vida. Sempre chega aquele momento em que você enxerga todos
os universos girando harmônicos na vastidão do grande escuro. Um só momento em
que nos é concedido ver tudo com os olhos de Deus. É só um momento. Uma fração
de segundos.
Deus ex momentum, com
quais galáxias você brinca quando sonha?
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